Começamos o encontro com a passagem bíblica I Cor 9,16-23 e
partilhamos as nossas reflexões sobre o tema proposto: Família e Evangelização,
com base no artigo “A missão de ser família” e um excerto do Instrumento de
Trabalho para o Sínodo dos Bispos (4-25 de Outubro de 2015).
A evangelização está no ADN da Igreja: “…ai de mim, se eu não evangelizar!” (I Cor 9,16-23). “71. Evangelizar é uma responsabilidade de todo o povo de Deus, cada um
segundo o seu ministério e carisma.”. Para nós que fomos chamados ao
matrimónio, a evangelização começa na família e testemunha-se como família: o
testemunho de um amor conjugal, vivido na fé e incarnado no quotidiano familiar,
como Igreja Doméstica. Contudo, a missão evangelizadora da família não se
esgota na educação cristã dos filhos. Cada família é chamada a dar o seu
contributo na evangelização da comunidade cristã e na sociedade civil.
Para nós um ponto fundamental para que a evangelização seja
eficaz é a proximidade com os outros. “76 .Por isso, pede-se a toda a Igreja uma
conversão missionária: é necessário não ficar num anúncio meramente teórico e
desligado dos problemas reais das pessoas. 77. O anúncio deve levar à
experiência de que o Evangelho da família é uma resposta às expetativas mais
profundas da pessoa humana: à sua dignidade e à realização plena na
reciprocidade, na comunhão e na fecundidade. Não se trata apenas de apresentar
uma legislação, mas de propor valores, respondendo à necessidade que se sente
deles. 78. A mensagem cristã deve ser anunciada privilegiando uma linguagem que
dê esperança. Há que usar uma comunicação clara e convidativa, aberta, que não
moralize, julgue ou controle; que dê testemunho do ensinamento moral da Igreja
e seja, ao mesmo tempo, sensível às condições de cada pessoa.”
A este propósito falou-se sobre o problema de se julgar os
outros, sem saber em que situações as pessoas e as famílias se encontram
(problemas económicos, conjugais, psicológicos, entre tantos outros). Muitas
vezes estão a “dar” o seu máximo à comunidade, e caímos no erro de achar que poderiam
dar mais ou que não se comprometem. Neste contexto alguns casais com filhos pequenos
desabafaram as dificuldades sentidas no dia a dia, que os impedem de se comprometerem
mais com a comunidade, dando por isso, nesta fase da vida, prioridade à evangelização
na família.
“70 ..o Papa Francisco convida-nos a refletir: “Temos a coragem de
acolher, com ternura, as situações difíceis e os problemas de quem vive ao
nosso lado, ou preferimos as soluções impessoais, talvez eficientes mas
desprovidas do calor do Evangelho? Quão grande é a necessidade que o mundo tem
hoje da ternura! Paciência de Deus, proximidade de Deus, ternura de Deus”.
“72. A Igreja deve
infundir nas famílias um sentido de pertença eclesial, um sentido do “nós”,
onde nenhum membro é esquecido. Todos sejam encorajados a desenvolver as
próprias capacidades e a realizar o projeto da própria vida ao serviço do Reino
de Deus. Toda a família, inserida no contexto eclesial, redescubra a alegria da
comunhão com outras famílias para servir o bem comum da sociedade,..”
Neste sentido foi expressada a importância do acolhimento das
famílias que se (re)aproximam de Deus e da vivência comunitária, nomeadamente
quando procuram o sacramento do Baptismo e/ou do Matrimónio ou quando os filhos
iniciam a catequese. Devemos de ver nessas pessoas uma oportunidade de
evangelização.
Falou-se também da importância da oração familiar. “80. Toda a pastoral familiar deverá
deixar-se modelar interiormente e formar os membros da Igreja doméstica através
da leitura orante e eclesial da Sagrada Escritura. A Palavra de Deus não é só
uma boa nova para a vida privada das pessoas, mas é também um critério de juízo
e uma luz para o discernimento dos diversos desafios com que se confrontam os
cônjuges e as famílias.”
Propôs-se que cada
família assuma um compromisso com o Senhor, com o seguinte lema “Eu e a minha casa serviremos o Senhor”
Josué 24,15. A nossa sugestão foi dar mais tempo à oração em família ou
outro compromisso relacionado com a evangelização.
Enquanto os casais dialogavam acerca do tema, os mais
pequenos foram convidados a construir um painel sobre a Anunciação a Nossa Senhora,
a ver um vídeo sobre o chamamento de Samuel e a reflectirem que, tanto Maria
como Samuel, aceitaram ser servos do Senhor. No final levaram uma lembrança
para casa que os fará recordar que, em Família, somos chamados a servir o
Senhor.
Sentimos todos neste encontro que, com a graça de Deus, temos
vindo a crescer enquanto grupo, como uma verdadeira família onde há abertura
para partilhamos alegrias e tristezas, sucessos e frustrações, ânimos e desânimos,
para apoiarmo-nos e corrigirmo-nos. Estamos gratos ao Senhor por este amadurecimento
espiritual e comunitário, que nos permite crescer enquanto família e paróquia.
Família Pomba

