Esta manhã li estas palavras do Papa Paulo VI sobre o Virgem Maria, e não pude deixar de partilha-las convosco.
"Desejamos
mais uma vez chamar a atenção de todos os filhos da Igreja para o inseparável
vínculo que existe entre a maternidade espiritual de Maria e os deveres que têm
para com Ela os homens resgatados.
Julgamos ser de grande utilidade para as almas dos fiéis
considerar duas verdades muito importantes para a renovação da vida cristã.
A primeira verdade é esta: Maria é Mãe da Igreja, não só por ser
Mãe de Jesus Cristo e sua íntima colaboradora na nova economia da graça, quando
o Filho de Deus n’Ela assumiu a natureza humana para libertar o homem do pecado
mediante os mistérios da sua carne, mas também porque brilha à comunidade dos
eleitos como admirável modelo de virtude.
Depois de ter participado no sacrifício redentor de seu Filho, e
de maneira tão íntima que mereceu ser por Ele proclamada Mãe não somente do
discípulo João, mas – seja consentido afirmá-lo – do género humano, por este de
algum modo representado, Ela continua agora no Céu a desempenhar a sua função
materna de cooperadora no nascimento e desenvolvimento da vida divina em cada
alma dos homens remidos.
Mas de que modo coopera Maria no crescimento da vida da graça nos
membros do Corpo Místico? Antes de tudo, pela sua oração incessante, inspirada
por uma ardentíssima caridade. A Virgem Santa, de facto, gozando embora da
contemplação da Santíssima Trindade, não esquece os seus filhos que caminham,
como Ela outrora, na peregrinação da fé; pelo contrário, contemplando-os em
Deus e conhecendo bem as suas necessidades, em comunhão com Jesus Cristo que está sempre vivo para interceder
por nós, deles se constitui Advogada, Auxiliadora, Amparo e
Medianeira.
No entanto, a cooperação da Mãe da Igreja no desenvolvimento da
vida divina nas almas não consiste apenas na sua intercessão junto do Filho.
Ela exerce sobre os homens remidos outra influência importantíssima, a do exemplo, segundo a conhecida máxima: as palavras movem, o exemplo arrasta.
Realmente, tal como os ensinamentos dos pais adquirem maior eficácia quando são
acompanhados pelo exemplo duma vida conforme às normas da prudência humana e
cristã, assim também a suavidade e o encanto das excelsas virtudes da Imaculada
Mãe de Deus atraem irresistivelmente as almas para a imitação do divino modelo,
Jesus Cristo, de que Ela foi a mais perfeita imagem.
Mas nem a graça do divino Redentor nem a poderosa intercessão de
sua e nossa Mãe espiritual poderiam conduzir-nos ao porto da salvação, se a
tudo isso não correspondesse a nossa perseverante vontade de honrar Jesus
Cristo e a Virgem Mãe de Deus com a fiel imitação das suas sublimes virtudes.
É, pois, dever de todos os cristãos imitar religiosamente os
exemplos de bondade que lhes deixou a Mãe do Céu. É esta a segunda verdade
sobre a qual nos agrada chamar a vossa atenção. É em Maria que os cristãos
podem admirar o exemplo que lhes mostra como realizar, com humildade e
magnanimidade, a missão que Deus confiou a cada um neste mundo, em ordem à sua
eterna salvação e à do próximo.
Uma mensagem de suma utilidade parece chegar hoje aos fiéis da
parte d’Aquela que é a Imaculada, a toda santa, a cooperadora do Filho na
restauração da vida sobrenatural das almas. A santa contemplação de Maria
incita-os, de facto, à oração confiante, à prática da penitência, ao santo
temor de Deus, e recorda-lhes com frequência aquelas palavras com que Jesus
Cristo anunciava estar perto o reino dos Céus: Arrependei-vos e acreditai no Evangelho,
bem como a sua severa advertência: Se
não vos arrependerdes, perecereis todos de maneira semelhante." - da Exortação Apostólica Signum Magnum (13/05/1967)
Que a Nossa Senhora de Fátima nos ampare e guarde. Ámen
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